Bio

PT / ENG

Como os skaters abordam a cidade, os bailarinos abordam o corpo, os actores abordam a mente, Rui Major faz do espectador mais do que um voyeur, mas uma presença muda dentro dos personagens.

É num incómodo perceptivo de imagens táteis que a obra de Rui Major nos imerge e não nos deixa sair, numa linha ténue entre as experiências, os limites e a transposição da essência de várias subculturas urbanas.

Os personagens, emocionalmente quase-surrealistas, surgem abruptamente em imagens capazes de elas próprias produzirem sentido fora de uma continuidade narrativa da montagem, que é muitas vezes mais em forma de colagem, para então o espetador contar a história.

Nascido na Figueira da Foz em 1986, Rui Major cresceu nesse areal interminável com ventanias de norte, no mar e na floresta, e o skate nos pés a ressoar nas colinas dessa cidade feita de turismo de verão.

Apaixonado por cinema e artes visuais, fez o percurso em Lisboa onde se formou em Arte Multimédia em 2009 na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Entre o skate profissional e as artes visuais, a simbiose foi natural e progressiva, começando a fotografar em 2005 e a produzir videos de skate em 2008, em que as suas obras transcendiam as linguagens cinematográficas do skate, levando-o para campos mais performativos e abstractos.

Desta simbiose valeram-lhe em 2010 e 2011, 4 prémios em 3 festivais internacionais de publicidade (Las Vegas CES, Sydney Tropfest e Pepsi Films Rio) com filmes publicitários que o introduziram no mercado enquanto realizador de publicidade.

Foi na Capital Europeia da Cultura 2012 em Guimarães que transpôs a sua consciência corporal performativa do skate e o interesse pelos processos criativos artísticos, e co-realizou o documentário “Fio Terra” com Miguel Rocha.

No mesmo ano viajou para a Austria durante um ano, onde colaborou com algumas das melhores escolas de dança contemporânea e experimental, a realizar, coreografar e filmar video-dança.

Foi durante este processo que desenvolveu o seu espaço cinematográfico entre o espectador e os muito não-actores das suas obras, o diálogo cinematográfico em que os personagens e a câmara estão uma linha ténue, da mesma maneira que o real, o guião e o improviso se fundem quando cria os seus filmes.

De volta a Lisboa em 2013, entre filmes de publicidade, videoclips de música, video experimental, curtas e filmmaker compulsivo, ele experiencia e conhece o universo dos seus personagens, mostra-nos os pormenores da sua imersão e absorção, numa versão espontânea quase-improvisada em que usa uma variedade de técnicas cinematográficas, desde as mais sofisticadas até à câmara-à-mão, a que seja mais conveniente para a verdade emocional da vida e influência cultural do personagem.

Sendo também Editor, regularmente o dos seus próprios filmes, reconhecemo-lo pela ‘montagem indutiva’ nas cenas que nos introduz com close-ups e imersão nos personagens, antes ou muitas vezes até sem dar a perceber o que está acontecer; bem como a ´Hip-Hop montage’ com planos que muitas vezes duram (quase) 1/2 segundo, deixando-nos apenas reconhecer o que está na imagem e responder psicológica e/ou emocionalmente, mas sem tempo para pensar.

A sua obra bebe e funde referências de Belá Tárr, Jarmusch, Godard, Larry Clark, Herzog, em paisagens de Miller e Palahnuik, e sabendo o universo de onde vem, faz-nos chegar a sua visão através do seu diálogo cinematográfico em estado natural, cheio de vida e influências culturais modernas.

(ENG)

As the skaters approach the city, the dancers approach the body, the actors approach the mind, Rui Major makes the viewer more than a voyeur, but a mute presence within the characters.

It is in a perceptive discomfort of tacit images that the work of Rui Major immerses us and don’t let us leave, in a fine line between the experiences, the limits and the transposition of the essence of several urban subcultures.
The characters, some emotionally almost surrealistic, emerge abruptly in images capable of producing meaning outside of a narrative continuity of the montage, which come more often in the form of collage, so than the spectator tells the story.

Born in Figueira da Foz, Portugal in 1986, Rui Major grew up on this endless stretch of sand were the north wind blows, surrounded by the sea and forest, and the skateboard under his feet resonating among the hills of this summer tourist town.
Passionated with cinema and visual arts, he took the master degree in Lisbon where he graduated in Multimedia Arts in 2009 at the Fine Arts University of Lisbon.
Between professional skateboarding and visual arts, the symbiosis come naturally and progressively, beginning shooting in 2005 and producing skateboard videos in 2008, in which his works transcended the cinematic languages of skateboarding, taking him to more performative and abstract ambiences.
From this symbiosis he was awarded in 2010 and 2011, 4 awards at 3 international advertising festivals (Las Vegas CES, Sydney Tropfest and Pepsi Films Rio) with commercial and branded content films, that underlined him on the market as a cutting edge commercial’s director.
It was at the 2012 European Capital of Culture in Guimarães that he developed his performative body-consciousness of skateboarding and interest in creative artistic processes, directing and co-produced the long feature documentary "Fio Terra".
In the same year he traveled to Austria for one year, where he collaborated with some of the best contemporary and experimental dance schools, performing, choreographing and filming dance videos.
It was during this process that he discovered his cinematographic space between the spectator and the non-actors of his works, the cinematographic dialogue in which the characters and the camera are in a tenuous line, just as the real, the script and the improvisation merge when he is creating his movies.

Back to Lisbon in 2013, was in short time he went from new talent to a top trendy director in the market, being in Bro Cinema production company as a main director. Since then he worked as director for the best production companies in Portugal with agencies such as Wunderman (Portugal and Frankfurt), Young & Rubicam, FCB, BORN, DDB, MOFILM (London and New York), for clients such as AON, Chevrolet, Diet-Coke, Bacardi, Olá (Wall’s / Unilever), Nivea, Compal, NOS, among others.

Between commercial films, music videos, experimental visuals, short feature and compulsive filmmaking, he experiences and knows the universe of his characters and shows us the details of his immersion and absorption, in a spontaneous almost improvised version where it uses a variety of cinematographic techniques, from the most sophisticated to the handheld camera, which is more convenient for the emotional truth of the life and cultural influence of the character.

Being also Editor, regularly on its own films, we recognise him by the 'inductive montage’ in scenes that introduces us with close-ups and immersion in the characters, before or often without even we realise what is happening; as well as the 'Hip-Hop montage' with shots that often last (almost) 1/2 seconds, only letting us identifying what's in the picture and respond psychologically or emotionally to it, but without time to think.

His work sketches and fuses references to Belá Tárr, Jarmusch, Godard, Larry Clark, Herzog, in landscapes of Miller and Palahniuk, and with us knowing the universe from where Rui comes, he brings us his vision through his unique cinematic dialogue in a natural form, full of life and modern culture influences.